domingo, 11 de setembro de 2016

Santa Teresa de Calcutá: A Santa das sarjetas

04 de setembro 2016.

“Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos esta preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era peregrino e me acolhestes, estava nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, estava na prisão e viestes a mim...”Mateus 25, 34-36.
O próprio Senhor Jesus, no texto acima, nos ensina o meio mais eficaz de alcançar a santidade, são pequenos gestos, feitos com amor, e que nos apontam  para a posse do reino que para todos foi preparado, a Santidade é para todos, pois o mesmo Senhor disse:”Sede santos”
Santa Teresa de Calcutá nos deixou um legado de obras de misericórdia de grande importância,seu jeito simples, seu olhar terno, suas palavras doces e também cheias de verdade deram ao mundo  um novo vigor evangélico, afinal sua vida era o próprio Evangelho-A boa nova, o reino anunciado e vivido naquela franzina Irmã da Caridade.
Todos nós, cristãos batizados em nome da Trindade Santa, recebemos as  virtudes da Fé,da Esperança e da Caridade no exato momento do nosso batismo e são essas virtudes que nortearam toda a nossa vida no caminho de santidade e quando chegarmos ao final dessa  vida e já diante do trono do Altíssimo, seremos julgados pelos nossos atos e gestos de amor(caridade).

Afinal, quem foi Santa Teresa de Calcutá?

Nascida no dia 27 de agosto de 1910, na Albânia,na Pia Batismal recebeu o nome de Agnese  Bojaxhiu, porem era carinhosamente chamada de Gonxha= Botão de flor.Seus pais eram  Nicolau e Drone,  ele comerciante, construtor e também exercia forte influencia nos meios políticos da cidade, foi eleito vereador.No ano de 1919 foi envenenado pelos seus opositores políticos.Com  a morte de Nicolau, a senhora Drone, ate então dona de casa viu-se obrigada a arregaçar as mangas e partiu para o trabalho informal, vendendo tapetes, bordados e artesanato.Lazar, Agnese, e Agata, tiveram a mais sólida educação baseada nos princípios éticos, morais e  cristãos, Nicolau era rigoroso, porem bondoso e compassivo,Drone era corajosa,meiga e piedosa.Próximo a casa da família tinha uma Igreja e incentivados pela mãe participavam da missa diária e a noite  todos rezavam o rosário.Dona Drone fazia questão de lembrar os filhos a palavra de JESUS que dizia:”O que fizerem a um pobre, por amor a mim, é como se fizessem a mim”.Agnese e seus irmãos, junto com sua mãe, frequentemente visitavam famílias pobres da periferia, a jovem Agnese frequentemente voltava aquelas casas para brincar com as crianças assim como  ensinar as primeiras letras.
Foi na adolescência que Agnese sentiu os primeiros impulsos vocacionais, o desejo de ser Missionária, de estar a serviço dos mais pobres e desvalidos tornou-se uma constante em seu jovem coração! Enquanto ajudava a mãe nos trabalhos domésticos entretinha-se com as leituras de testemunhos de missionários na INDIA. A semente estava sendo plantada...
Agnese foi em busca de seus sonhos e do seu chamado,  assim descobriu que as Irmãs da Congregação de Nossa Senhora de Loreto tinham uma casa em Bengala na India.Decidida ,partiu para Dublin(Irlanda), sede da Congregação e lá ficou alguns meses em preparação para se tornar uma religiosa.Sendo aprovada, iniciou uma longa viagem para Darjeeling(India), onde em 1928 iniciara o noviciado.
Na Solenidade de Nossa Senhora Auxiliadora, dia 24 de maio de 1937, fez sua profissão perpetua e passou a ser chamada Irmã Teresa, daquele dia em diante trabalhou como professora secundaria por dez anos.No dia 10 de setembro de 1946, estando Irmã Teresa em viagem de trem com destino a Darjeeling, sentiu em seu coração, como que a  arder em chamas de amor, era a voz do SENHOR a lhe chamar.Teresa decide deixar a Congregação para ajudar os pobres das sarjetas, os leprosos agonizantes das  vielas, as crianças famintas e os velhos esquecidos..Foi somente no dia 02 de abril de 1948, que o Papa Pio XII, autorizou Teresa a ser freira fora dos muros do Convento, sua casa seria as ruas, escolheu dormir ao relento , comer da mesa dos miseráveis, os tempos primeiros enchiam seus olhos de lágrimas, lagrimas do medo das incertezas, das injustiças, das misérias e do sofrimento alheio.Para se tornar mais próxima, troca o habito preto por um sári branco de listas azuis, tal qual as mulheres indianas!
Quando chegou a India, como Missionária da Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, trabalhou no Colégio St.Mary’s High School, Escola para os filhos dos ricos e poderosos, ao lado ficava a Favela Motijheel e foi justamente nessa favela que Irmã Teresa decidiu iniciar sua obra, Calcutá seria o seu campo de ação e o lugar pelo qual seria conhecida por toda a sua vida,Madre Teresa de Calcutá.
Outras irmãs vieram, sentiram-se chamadas e tocadas pelo amor de Madre Teresa, os gestos de amor e dedicação aos leprosos, dando-lhes banhos, trocando ataduras daquelas feridas  e daqueles membros em decomposição.Teresa era só amor, em cada gesto e em cada situação!
Em pouco tempo, já eram muitas, e assim  foi necessário adquirir um espaço para abrigá-las, assim como os pobres.Viviam da providencia, tudo lhes era dado como esmola, não poderiam as irmãs ter mais do que os pobres, a ninguém foi negado o acolhimento na casa das Irmãs, não importava o estado de saúde, a idade, o que importava era ver JESUS em cada irmão acolhido.
Madre Teresa e as Missionárias da Caridade passaram a ser conhecidas e respeitadas não somente na India mas em todo o mundo.Lideres Religiosos, Chefes de Estado, artistas, ativistas, sacerdotes, religiosos, bispos, cardeais, iam ao encontro de Madre Teresa e nela encontravam meios de ajudar os mais necessitados.
Foi Madre Teresa uma incansável embaixadora da luta contra o Aborto, falou aos lideres mundiais na ONU, criticou chefes de estados que aprovavam a lei do aborto, condenou as ações disfarçadas  das feministas(abortistas), desmascarou falsas intenções, não se curvou diante das ameaças e dos poderosos.Foi sempre um mulher corajosa e um símbolo mundial da luta pela paz, o que lhe conferiu o Premio Nobel da Paz  no ano de 1979.
Madre Teresa foi consumida pelo amor, gastou-se e esgotou-se de amor a DEUS a aos irmãos, sua vida foi apagando-se como uma vela  ate que seu coração cheio de amor e bondade não aguentou mais de saudades de DEUS e parou de bater no dia  05 de setembro de 1997.Calcutá ,a Índia, o mundo parou para se despedir da Missionária da Caridade e já naquele momento chamada por todos como Santa, Santa Teresa de Calcutá!
Foi  beatificada por São João Paulo II no dia 19 de outubro de 2003 e canonizada pelo Papa Francisco no dia 04 de setembro de 2016.
“Ó meu Deus, por livre escolha e por teu amor, desejo permanecer aqui e fazer o que a tua vontade exige de mim. Não darei nenhum passo para trás. Minha comunidade são os pobres. Sua segurança é a minha. Sua saúde a minha saúde , minha casa é a casa dos pobres dentre os mais pobres.daqueles que ninguém se aproxima por medo de contágio e da sujeira, que esta coberto de micróbios e de ratos.daqueles que não vão rezar porque estão nus.Dos que já não se alimentam porque sequer tem forças para comer.Daqueles que caem nas ruas conscientes de que vão morrer e que , ao lado deles, caminham os vivos, que não prestam a mínima atenção.Daqueles que já não choram porque suas lágrimas já se esgotaram!”
Santa Teresa de Calcutá –Rogai por nós, que recorremos a vos!
Paz e bem!









terça-feira, 9 de agosto de 2016

Nossa Senhora da Glória



“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma mulher revestida de sol, a lua debaixo de seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas”.(Ap 12,1)


Aos pés da cruz estava Maria, de pé, testemunhando a maior prova de amor que a humanidade teria: o Senhor Jesus morre na cruz para nos dar a vida eterna.
Ao ser descido da cruz, o Senhor é colocado sobre os braços de sua mãe, e ali, ele é novamente o filho de Maria. Aquela mãe dolorosa acaricia seus cabelos ressequidos de sangue, beija seu rosto desfigurado e toca suavemente as chagas de suas mãos. Quantas lembranças! Tudo quanto ela guardava no seu coração começava a ser desvendado.
Jesus é lavado e colocado no túmulo, e sua mãe assiste a cena com o coração silencioso, confiante na promessa da ressurreição.
Diz o evangelho secreto da santíssima Virgem, relatado a São João pela própria Virgem Maria: “Na madrugada de sábado para domingo... Rezando e chorando, de joelhos junto à cama, voltei a adormecer. A cabeça e os braços sobre o leito, não sei quantas horas estive assim, só me lembro que, igual a trinta e quatro anos antes, senti, de repente, que havia alguém no quarto em que despertei sobressaltada... Tinha a sensação de que uma luz extraordinária brilhava ao meu redor ainda que tudo continuasse as escuras.
Então vi... Ali estava e era Ele, esperando e velando o meu sono. “Filho”, gritei e me lancei em seus braços. “Mãe”, disse-me enquanto passava a mão por meus cabelos em desordem, “tranqüiliza-te”.
 Já aconteceu tudo. Estou de novo aqui contigo! Então me beijou... “Vencemos Mãe, vencemos. Enfim derrotamos o maligno. Finalmente a morte esta proscrita. A batalha dura e angustiante, mas a vitória é nossa e é definitiva. Também tu tiveste parte nela... Quanto me ajudou tua fortaleza e como me consolou ver-te ali junto à cruz, cheia de fé e de esperança”.
“O ultimo inimigo a ser destruído é a morte”.
 Lemos na primeira carta aos Coríntios. A morte, fruto do pecado, já não tem mais poder sobre quem não tem pecado. “Ave, cheia de garça”, disse o anjo a Maria, por que nela não há espaço para o que não é a vida de Deus.
Após 40 dias, gloriosamente ressuscitado, Jesus subiu ao monte das oliveiras... Abençoou os seus e se elevou ao céu por seu próprio poder... Dois anjos vestidos de branco vieram lembrá-los das realidades da vida. A Virgem e os discípulos retornaram juntos ao cenáculo.
Juntos estavam no cenáculo, 50 dias após a ressurreição, Maria e os apóstolos quando o Espírito Santo prometido veio sobre eles e todos ficaram cheios do poder de Deus, ali em Pentecostes nasceu a Igreja de Jesus Cristo com Maria e as doze colunas (os apóstolos) que a sustentariam e sob o comando de Pedro, hoje Bento XVI.
Maria devia passar ainda muitos anos sobre a terra (dizem alguns que foram 30 anos), onde saboreara alegrias na intimidade de seu filho presente na Santa Eucaristia. Privada doravante de sua presença visível, ela devia exercer junto à Igreja nascente o papel de mãe, que lhe havia confiado o próprio Jesus.
Segundo a tradição, Maria recebeu Jesus eucarístico, pela primeira vez das mãos do Apóstolo Pedro, e depois que foi com João evangelista para Éfaso, recebia diariamente das mãos do Apóstolo que Jesus amara, e que confiou sua mãe, por não ter irmãos.
Quanto mais se prolongava o exílio, mais aumentava o desejo de partir e ir ao encontro de seu filho, e quando chega o momento, por ela tão esperado, e pressentindo que era chegada a hora de ir ao encontro de seu filho, Maria volta para Jerusalém, os Apóstolos são avisados e todos se dirigem para Jerusalém para as ultimas recomendações e despedidas.
Quando a Imaculada exalou o ultimo suspiro, os apóstolos lhe prepararam piedosamente os funerais, a Santíssima adormeceu no Senhor, e foi sepultada conforme os costumes judaicos, num tumulo que se encontra na vizinhança do Gethesêmani. Segundo uma piedosa tradição, o anjo Gabriel, que a havia saudado cheia de graça, visitou-a novamente e lhe anunciou a noticia de sua próxima partida.
Três dias depois do sepultamento, conforme a tradição, chegou o apostolo Tomé. Pesaroso por não ter podido assistir a despedida da Mãe, (conforme era chamada por todos os Apóstolos), insistiu com os apóstolos para que lhe abrissem o sepulcro para que pudesse contemplar pela ultima vez o rosto virginal de Maria.
Os apóstolos cederam, mas quando abriram o tumulo, encontraram-no vazio. Só acharam os lençóis de linho, alvíssimos, e que exalavam um perfume celestial, belas rosas cobriam a pedra e a piedosa correia, que a Santíssima Virgem usava na cintura.
Era costume na Judéia, andarem as mulheres cingidas com uma correia, desde pequenas como símbolo de pureza. A santíssima Virgem Maria, como toda a judia, também usou, durante toda a sua vida, uma correia, sendo com ela sepultada.
Diz ainda, a tradição, que o apostolo Tomé venerou, com muito respeito, a correia de Maria e, daquele dia em diante, usou uma correia semelhante em homenagem a Mãe. A correia original ficou no sepulcro e mais tarde Santa Pulquéria, a fez transportar para Constantinopla e colocá-la numa magnífica igreja em honra a Nossa Senhora,e assim, começou a difusão da Sagrada Correia entre o povo fiel.
A Santíssima Virgem Maria é levada aos céus pelos anjos de Deus. Aquele corpo imaculado, que gerou o Salvador da humanidade, não poderia conhecer a corrupção.
“Quem é esta que sobe?” Assim teriam perguntado uns aos outros, os espíritos celestes que aguardavam a subida da Imaculada, pasmados de sua inefável beleza. “Quem é esta que sobe como a aurora, quando se levanta, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha? Quem é esta que sobe do deserto, inebriada de delicias, apoiada sobre seu amado?”. (Cant, 6,9;8,5).
Seu amado filho Jesus indo ao encontro de sua mãe dulcíssima, tê-la-ia convidado e chamado com carinhosas frases repassadas de amorosas saudades, e conduzida por Jesus até o trono do Pai celeste, este coroa a sua dileta filha com a coroa do poder, para que se torne a rainha do céu e da terra.
O Verbo Encarnado coroa sua Mãe Imaculada com a coroa da sabedoria, para que se torne nossa “Mestra e a sede da sabedoria”.
O Espírito Santo coroa sua castíssima esposa com a coroa do amor e da graça, para que se torne a “Medianeira e dispensadora das graças divinas”.


O Dogma


Atendendo a expectativa e a pedidos do povo católico do mundo inteiro, o Papa Pio XII definiu, em 1950, na Assunção de Nossa Senhora, como dogma de fé, pela constituição apostólica munificentissimus Deus, e afirmou: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma a gloria celestial”. 1º de novembro de 1950

Bendita seja sua glória e Assunção Gloriosa.

domingo, 31 de julho de 2016

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus

09 de julho

“Não desanimeis nunca, embora soprem ventos  contrários”

Como não falar com emoção de Santa Paulina, afinal ela esteve sempre tão próxima de nossas vidas, somos quase vizinhos e para chegar ao seu destino, ela desembarcou as margens do Rio Itajai, atravessou a nossa cidade de Itajai e com seus familiares e os demais Imigrantes italianos seguiram em direção a terra prometida a Nova Trento das terras catarinenses.Tive a graça de visitar Trento-Italia e conhecer sua casa paterna, tudo tão simples e tão santo.Por muitas vezes visitei Nova Trento, antes de sua beatificação e canonização, tudo era tão silencioso e pacato, bem diferente do que vemos hoje.Estive em Florianópolis quando da sua beatificação, foi um momento inesquecível, ouvir a declaração de beatificação de Madre Paulina da boca de um outro Santo o Papa João Paulo II.Simplesmente foi um momento único.

Amábile Lucia Visintainer, nascida em 16 de dezembro de 1865,em Vígolo Vattaro-Italia, fila segunda filha do operário Napoleão Visintainer e Dona Anna Pianezzer Visintainer, o casal teve 14 filhos, todos educados na fé católica e nos rígidos princípios da moral e dos bons costumes. Desde cedo Napoleão ensinou os filhos a lidar com a terra e dela tirar o sustento, os mais velhos  ajudavam a cuidar dos menores e assim por diante.Napoleão trabalhava como pedreiro e com suas mãos calejadas puxava o terço do bolso do paletó e a noite, com a mulher e os filhos rezavam juntos o Santo rosário  com devoção e amor a SSma. Virgem Maria!.Tudo era muito sublime...
Amábile  sempre foi uma menina meiga, dedicada, tinha um coração generoso e compassivo, seu olhar estava sempre voltado  para os mais  pobres, os idosos abandonados, os doentes, e com toda a  simplicidade e bondade torna-se tudo para todos, a comunidade nutria  por Amábile um carinho especial. Seus irmãos a tem como uma segunda mãe, sempre que Dona Anna tem que  sair de casa, deixa os pequenos aos cuidados de Amábile.
Contando apenas com 8 anos de idade, Amábile se vê obrigada a sair de casa e ir trabalhar numa Fabrica de tecidos para ajudar a família, a menina era tão frágil que foi designada para separar os casulos do bicho-da-seda, o modesto lanche que levava ainda repartia com as outras meninas que nada tinham.
Uma noticia chegou a Vígolo Vattaro e deixou o seu povo em  agitação, vários jornais noticiavam que quem desejasse ir para o Brasil, como imigrante, receberia terra, dinheiro, trabalho etc, uma oportunidade única:”Vamos tentar a sorte”, é a terra prometida...E assim sendo  em setembro de 1875 cerca de 130 moradores de Vígolo Vattaro partiram para o Brasil.Napoleão e Anna embarcam com seus 5 filhos, Amabile esta com 10 anos e em seu pequeno e generoso coração , sente, mesmo sem saber ,o chamado da missão.
Algumas semanas mais tarde, desembarcam em terras catarinenses, as margens do rio Itajaí-açu, porto de Itajai.Quem estava recepcionando o grupo de imigrantes italianos era o Padre João Maria Cybéo, um Missionário Jesuíta,vindo do Vale do Tijucas, que logo assumiu os cuidados dos trentinos.Assim partiram para  o Alferes,que  logo se chamou Nova Trento.

Sempre foi uma preocupação para os imigrantes a instrução das crianças, para tanto contrataram a professora Marina Dallabrida. A pequena Amabile tinha muita dificuldade para aprender a ler, em seu coração e também no de seus pais brotou uma esperança:Amabile  iria receber a primeira comunhão em breve, e assim pediria essa graça ao SENHOR e foi o que aconteceu!
Amábile sentia em seu coração um desejo de ser toda de DEUS e para os irmãos, e junto com sua amiga Virgínia Nicolodi, nutria o desejo  de servir.Padre Servanzi, confiou as duas jovens, o cuidado com a Igreja, o catecismo das crianças e a assistência aos enfermos, missão cumprida  com zelo e dedicação pelas duas.Tudo corria bem  até que no  ano de 1887, estando Amábile com 22 anos,  é tomada pela dor de perder sua mãe, Dona Anna não resistiu a mais um parto.  Toda a responsabilidade da casa ficou aos cuidados de Amábile, alem do apostolado que lhe fora confiado.Três anos mais tarde, seu pai casou novamente e assim sua vida ficou mais folgada para cumprir sua missão.

Os planos do SENHOR vão a cada dia, se descortinando no cenário da vida das duas coloninhas de Nova Trento, o novo Paroco Padre Marcelo Rocchi, logo percebe nas meninas um toque da graça de DEUS.Amábile confidencia a Virginia, seus planos de construir um casebre perto da Igreja onde as duas poderiam rezar e trabalhar pelos mais necessitados.Virginia gosta da ideia porem questiona o como acontecerá! Se seus pais permitirão, quem construirá a casa?E o Padre o que dirá?”O BOM DEUS VIRÁ AO ENCONTRO.ELE SABE QUE QUEREMOS FAZER A SUA VONTADE; POR ISSO, NA HORA POR ELE ESTABELECIDA, NOS AJUDARÁ”, disse Amábile.
Por causa de uma cancerosa,Angela Lucia Viviani, que tinha necessidade de cuidados, e não tinha quem  os fizesse, pois estava em estado quase terminal, foram as jovens que prontamente se colocaram a serviço da doente, e o fizeram com tanto amor, que tanto a comunidade quanto o Padre, se empenharam em ajudá-las.Padre Marcelo conseguiu um casebre abandonado, que pertencia ao Sr. Benjamim Gallotti, e la então levaram a Sra Angela, era um casebre Hospital de 6X4.No dia 12 de julho de 1890 , teve início uma obra de DEUS nos sertões de Santa Catarina, e tendo como protagonistas duas jovens coloninhas quase analfabetas.São José era o protetor da obra recém fundada.
Tudo era muito difícil, a cancerosa a cada dia ficava pior, o quadro era gravíssimo,  alem do que alguns colonos não apreciavam a vida e o trabalho das jovens, e durante a noite atiravam pedras na casa e não poupavam palavras ofensivas a dignidade das jovens!Depois de um tempo de preparação a enferma pediu para se confessar e morreu na graça do bom DEUS. As duas permaneceram no local que serviria para a catequese, momentos de oração, atenção aos pobres e desvalidos etc.ª…
No ano de 1891, Amábile adoeceu gravemente,estava fraca, debilitada, necessitava de cuidados especiais.Tão logo recuperou suas forças e a saúde, foi-lhe revelada em sonho, a missão a ela confiada:”Ela estava num campo coberto de flores, com videiras cheias de cachos maduros de uvas, um grande numero de meninas vestidas de branco corriam pelo campo brincando felizes.De repente aparece uma escada feita de nuvens e nos primeiros degraus estava a Imaculada Conceição, que sorrindo aponta para as jovens dizendo:’EIS AS FILHAS QUE CONFIO A TI’”
Em 1893, o Jesuita Padre Mantero, que muito admirava a vida e o trabalho das jovens, conseguiu um terreno e começaram a construção da nova casa, e assim no dia de NOSSA SENHORA DE LOURDES, 11 de fevereiro de 1894, as três jovens partem para a nova casa, eram elas:Amábile, Virginia e Teresa.No ano de 1895, no dia 25 de agosto saiu a aprovação diocesana da Pia União da Imaculada Conceição. Dom Jose, recomendou a nova Congregação ao Padre Rossi e pediu que Amabile preparasse a regra de vida das irmãs

Foi, porem no ano de 1896, que as noviças professaram solenemente,Amábile adotou o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus(Madre Paulina),Irmã Matilde da Imaculada Conceição e Irmã Inês de São José, era um marco para a pequena Nova Trento, nasce uma Congregação, tão somente pela vontade de DEUS e pelo sonho de uma coloninha chamada Madre Paulina.
A Congregação crescia e de uma maneira extraordinária, muitas jovens buscavam a perfeição e a santidade nos passo de Irmã Paulina, o trabalho era árduo, no campo, nas escolas, na confecção das sedas, catequese, atenção aos idosos, enfermos, crianças abandonadas.Eram tantos os campos de ação que em pouco tempo as casas da congregação foram se abrindo em outros lugares, a missão tornou-se grandiosa.Madre Paulina era incansável, amorosa porem determinada e corajosa, para ela não existia trabalho difícil ou impossível, tudo era de DEUS e para DEUS e os irmãos.No ano de 1909 a Congregação passa a se chamar:Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, por determinação de Dom Duarte e teve como superiora Madre Vicência Teodora da Imaculada Conceição...
A Congregação caminhava a passos largos, e aos poucos Madre Paulina vai cedendo espaço, entre tantos acontecimentos, uns venturosos outros nem tantos, tudo concorre para a Gloria de DEUS.No ano de 1938,Madre Paulina se vê obrigada a amputar o braço em consequência de uma gangrena na mão direita, dizia ela:”Vontade de DEUS paraíso meu”.Trabalha confeccionando rosários, flores etc, sempre servindo!No ano de 1942, Madre Paulina percorre o seu calvário ate que  as 5;50 do dia 09 de julho de 1942, Madre Paulina da por encerrada sua missão terrena, para iniciar a celeste, estava com 77anos.Foi beatificada em 18 de outubro de 1991 e canonizada em  19 de maio de 2002.Hoje a congregação conta com mais de 600 Irmãzinhas espalhas pelo Brasil e pelo mundo.

Santa Madre Paulina, roga por nós que recorremos a vòs!
Marcio Antonio Reiser OFS






 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

“Jerônimo e Zélia –A Santidade a Dois”

Família– BERÇO DE TODAS AS VOCAÇÕES.


Na cidade de Magé, estado do Rio de Janeiro, nasceu no dia 26 de julho de 1851 o filho primogênito do casal Fernando de Castro Abreu Magalhães e Rosa Rodrigues de Magalhães, que na Pia Batismal recebeu o nome de  Jerônimo de Castro Abreu  Magalhães. Dona Rosa veio a falecer quando Jerônimo e sua irmã Bárbara eram muito pequenos, sendo assim, foram levados a Portugal e entregues aos cuidados de uma tia materna.Jerônimo estudou no Colégio dos Nobres em  Lisboa e alguns anos mais tarde foi estudar Humanidades na Alemanha.Quando completou 20 anos e já formado em Humanidades e como Bacharel em Letras e Filosofia, desejou voltar ao Brasil e  já no Brasil, formou-se em Engenharia Civil no ano de 1875.
A bela cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, foi o berço de uma de suas filhas mais ilustres, a filha do Dr.João Pedreira e de Dona Elisa Amália de Bulhões Pedreira, Zélia Pedreira, que nasceu no dia 05 de abril de 1857, era uma dos cinco filhos do ilustre casal.Dr João  era um homem  bastante conceituado na Corte, exercia a função de Secretário do Supremo Tribunal, moravam  num belíssimo solar no alto da Tijuca chamado de Chácara da Cachoeira. A referida chácara era frequentada por fidalgos, nobres, ilustres figuras do meio artístico e cultural, escritores e principalmente por Bispos, Religiosos, Missionários, Sacerdotes, que encontravam acolhimento e generosidade em seus anfitriões.
Zélia sempre foi  uma menina inteligente, estava muito a frente de seu tempo, lia muito principalmente livros das Ciências, das artes, das conquistas, mas e principalmente as Obras completas de Santa Teresa D’Avila, era um prodígio de criança.Por vezes sonhou em partir para a Espanha para fazer o noviciado no Carmelo, ser carmelita sempre foi um sonho que por receio guardou para si.Zélia estudou e falava fluentemente o francês inglês,alemão, latim, grego e italiano.
Deus preparou o jovem casal e providenciou que se encontrassem e que desse encontro nascesse um belo e eterno amor, foi amor a primeira vista pois ambos eram bastante religiosos e com princípios alicerçados  na fé Católica, eram amantes dos livros, das artes e das ciências, falavam vários idiomas e principalmente defendiam ideais de igualdade, fraternidade e liberdade, onde todos são iguais, sem distinção!
O jovem casal uniu-se em matrimonio no dia 27 de julho de 1876 e foram morar na rica fazenda de Santa Fé, também no estado do Rio de Janeiro. A fazenda de santa fé tornou-se um lugar de acolhimento e um vasto campo de apostolado.Jerônimo e Zélia estavam sempre atentos as necessidades dos empregados, dos servidores,  dos escravos que logo foram alforriados e tratados com dignidade e com direitos estabelecidos, todos eram tratados com amor, respeito e justiça, eram amados e respeitados por todos, era um “Santo Casal” diziam!
O que vale a pena contar é o fato acontecido no ano de 1872, quando a jovem Zélia foi convidada pelo Pároco de Petrópolis, para abraçar a vida religiosa e ser a Superiora de uma Congregação.Zélia ainda não havia conhecido Jerônimo, portanto estava propensa a atender o convite do Pároco.Seu pai não aprovava a ideia do Padre, porem decidiu levar sua filha ate a cidade mineira de Baependi, onde vivia a Sra.Nhá Chica(Hoje Beata Nhá Chica), que tinha fama de  conhecer e perscrutar corações.Nhá Chica recebeu a comitiva, ouviu os argumentos do pai, do Padre e da Jovem Zélia.Pediu licença e foi ao seu quarto conversar e orar a Virgem da Conceição, depois de algum tempo voltou  e disse a jovem:”Hoje farás a vontade de teu pai, não entrarás para o convento, pois Deus te enviará um santo homem e com ele casaras e darás um grande prole a Igreja e já no final de tua vida realizarás teu sonho de te dedicar totalmente a DEUS!”Voltaram todos para casa conformados e silenciosos e cada pensando nas palavras daquela Santa mulher da Minas Gerais.
O jovem e piedoso casal mandou buscar uma bela imagem da Virgem Maria, na cidade de Lourdes na França e foi colocada numa gruta na fazenda Santa Fé, a gruta era lugar de muitas romarias, terços incontáveis eram rezados ali!Porem já no ano de 1894, por motivos de saúde, a família  passa a morar na cidade de Petrópolis, e lá a nova casa tornou-se lugar de acolhimento e apostolado.
Zélia dava aulas de catecismo, alfabetização(fundou uma escola e que alem de ensinar as crianças, ensinava os pais em aulas noturnas).Não perdia tempo, ela com os filhos maiores eram os professores, catequistas etc.
Da união de Jerônimo e Zélia, nasceram treze filhos:Maria Elisa,Maria Rosa,Maria Leonor, Maria Barbara,Maria Tereza, Maria Joana, Maria Amália e Maria de Lourdes. E os homens, Jerônimo,Francisco, José, Fernando, João José, e Luis(Quatro morreram ainda pequenos).O mais interessante é que todos os filhos abraçaram a vida sacerdotal e religiosa:Maria Elisa,Maria Leonor,Maria Joana e Maria Amália entraram para a Congregação de Santa DOROTÉIA, Maria Barbara e Maria Rosa entraram para a Congregação do Bom Pastor,Jerônimo ingressou na Congregação da Missão, Fernando na Companhia de Jesus(Jesuítas) e João José tornou-se Franciscano.
O Sr. Jerônimo era da Terceira Ordem de São Francisco, hoje Ordem Franciscana Secular, e no ano de 1909 aconteceu as Santas Missões em  na cidade do Carmo, e o Sr.Jerônimo foi incansável em acolher a todos os Bispos, Padres,Religiosas,Missionários leigos etc Foi um trabalho grandioso, incontáveis confissões, preparação para os sacramentos, registro de pessoas, alimentação para todos, acomodação para todos, enfim um trabalho exaustivo porem gratificante com seus resultados.Dona Zélia estava no Recife visitando a filha mais velha, por isso não participou das missões.Jerônimo, no final da missão, vindo a cavalo da casa de um fazendeiro, foi surpreendido por uma forte chuva que o deixou com uma febre de 40graus, era uma pneumonia fatal que se desencadeava.
Dona Zélia  estava a caminho a bordo de um Vapor que vinha de Recife, era o dia 12 de agosto de 1909, quando Sr. Jerônimo veio a falecer, estava com 58 anos, Dona Zélia ao desembarcar na cidade do Rio de Janeiro, no mesmo dia 12 de agosto, recebe a noticia da morte de seu amado esposo.No mesmo instante cai de joelhos em prantos de dor e saudades.Envia a todos os filhos um telegrama dizendo:”Bendigamos a DEUS, teu pai faleceu, Santo!”
No túmulo do Sr Jerônimo foi colocada a Imagem da Virgem de Lourdes que estava na fazenda Santa Fé.
Ficando viúva,Dona Zélia, novamente sente o chamado a vida religiosa, consagrada, sendo assim participa de um retiro para senhoras e ao final e diante do Padre Diretor, professa os votos de pobreza, castidade e obediência.Em sua aliança de casamento mandou gravar o nome de JESUS ao lado do nome de Jerônimo.No ano de 1912 fundou-se na cidade do Rio de Janeiro, o Convento das Servas do Santíssimo Sacramento, sendo elas de vida de clausura.Consultando seus filhos, seu confessor e vários Bispos, fez seu pedido de admissão, que foi enviado a Roma no dia 21 de novembro de 1912.Sendo aceita pela Madre Geral, Dona Zélia com mãe amorosa de seus 9 filhos, sai em peregrinação aos Conventos e Mosteiros onde estavam  seus filhos e filhas para abraçá-los pela ultima vez ,pois ao final entraria para sempre  na Clausura!
Foram seis meses de viagens e despedidas, até que no  22 de Janeiro de 1918, ela estava com 62 anos, dois de seus filhos estavam presentes na profissão e entrada na Clausura das Sacramentinas.Foi suas núpcias pela segunda  e ultima vez.Dona Zélia é toda dedicação e amor para com todas as irmãs.Por ter facilidades com outros idiomas, Zélia dedica-se as traduções, principalmente as cartas do Fundador : Padre Eymard.Alguns meses se passaram e Dona Zélia passou a sentir dores nas costas, palpitações e dores no peito, decidem as irmãs pela imediata vestiçao do hábito de Zélia.
Vieram seus filhos, Padre Jerônimo, Padre Fernando E Frei João José, alem da filha mais velha, Irmã Elisa, Padre Jerônimo, benzeu o habito e o véu branco de sua mãe e disse:”Minha mãe, de hoje em diante não vos chamarei mais Zélia Pedreira de Castro Magalhães e sim SÓROR MARIA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO.A emoção tomou conta de todos, e assim Zelia lembrou de Nhá Chica e suas profecias todas cumpridas.
No dia 15 de agosto de 1919 a Noviça Sóror Maria, começou a sentir o agravamento de suas enfermidades, contorcia-se em dores sem gemer nem reclamar, tudo oferecia pela santificação de seus filhos e por amor ao SENHOR, a cada instante tudo se agravava,levada ao Hospital era cercada de carinho pelos filhos, pelas religiosas, amigos, e sua felicidade foi maior quando pode fazer seus votos perpétuos na cama, era o dia 04 de setembro de 1919,e foi no dia da Natividade de Nossa Senhora, 08 de setembro de 1919 á uma hora da manha que a Sóror Maria do Santíssimo Sacramento entrega sua  santa alma ao SENHOR.
Grande foi a multidão que se fez presente no velório e enterro, emoção e lagrimas de tantos quantos foram tocados pelo amor de Dona Zélia.
Hoje os dois estão a caminho dos altares, e rogamos ao Bom DEUS que logo os vejamos declarados Santos.
Amem, Paz e bem!
Marcio Antonio Reiser OFS






domingo, 28 de fevereiro de 2016

“Beata: IRMÃ DULCE DOS POBRES”

“Uma sociedade só pode ser feliz quando o conhecimento estiver plenamente dividido entre todos os seus filhos”.(Irmã Dulce)


No ano de 1914, mais precisamente no dia 26 de maio, mês dedicado a Virgem Maria, nasceu a primeira filha do renomado Cirurgião Dentista da cidade de Salvador(Bahia), Dr. Augusto Lopes  Pontes casado com Dona Dulce Pontes. Na Pia Batismal a menina recebeu o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, na sequencia nasceram Augusto, Dulcinha, Geraldo e Regina, que veio a falecer logo após o parto assim como sua mãe.
Dr. Augusto, alem de cirurgião dentista, lecionava na Universidade de Bahia portanto era claro que as condições financeiras da família eram privilegiadas.Sempre foi um pai presente, aos filhos ensinou os mais vivos sentimentos de Fé,  amor ao próximo, generosidade e partilha, era uma família exemplar. Tão logo ficaram órfãos de mãe,  Maria Rita e seus irmãos passaram a ser cuidados pelas tias que eram bondosas porem rigorosas e severas  na educação dos pequenos.Depois de alguns anos Dr. Augusto casou-se novamente e dessa nova união nasceram  Terezinha e Ana  Maria.
Maria Rita , tão logo entrou na adolescência começou  a despertar para as realidades desiguais em que viviam tantas pessoas , eram poucos os que gozavam de tantos privilégios, com a sua família. Uma de suas tias,Dona Madalena todos os domingos, logo depois da Santa Missa, levava Maria Rita para visitar os doentes e enfermos, os pobres e marginalizados  da periferia de Salvador, todos recebiam carinho, atenção e algum recurso material de que precisavam.A jovem Maria Rita ficava encantada com todo esse trabalho.Tocada pela graça, começou a praticar sua obras de caridade na porta de sua casa, eram muitos os que recorriam a bondade da pequena Jovem.Maria Rita sempre teve o apoio do pai para as suas  obras, Dr. Augusto não se deixava vencer em generosidade.
Foi no ano de 1929 que Maria Rita entrou para a ORDEM FRANCISCANA SECULAR, onde professou solenemente no dia  15 de janeiro de 1933, passou a ser o braço direito de seu confessor Frei Hildebrando  Kruthaup OFM e com ele fundou a “União Operaria  de São Francisco de Assis”, que mais tarde passou a se chamar “ Círculo Operário da Bahia”.
Nunca foi surpresa para ninguém o desejo  de Maria Rita de se tornar religiosa, porem atendendo a um pedido de seu pai decidiu  concluir a escola Normal. Cumprida a promessa, Maria Rita ingressou no Convento do Carmo, na cidade de São Cristóvão(Sergipe), no mês de fevereiro de 1934, era o convento das irmãs missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de DEUS.La ela adotou o nome de Irmã Dulce, em homenagem a sua falecida mãe.No ano de 1938, junto com outras noviças  emitiu os votos perpétuos.
A década de trinta marcou profundamente a vida do povo nordestino, a seca era implacável  assolava o sertão, incontáveis foram os sertanejos que deixaram suas terras e partiram  para as grandes cidades do nordeste e do sudeste.A cidade de Salvador, assim como as outras cidades grandes, tornou-se um cenário de desolação e miséria.Era impossível atender tanta demanda.Foi Por esse tempo que Irmão Dulce retornou a Salvador seu coração ficou apertado em ver tantos irmãos e irmãs a margem das ruas e vielas da cidade.Chegando ao convento, foi designada para os serviços de Porteira  e sacristã. Em nome da obediência, começou a fazer um curso de  Farmácia com noções de enfermagem, logo em seguida exerceu a função de enfermeira chefe do setor de radiologia do Hospital Espanhol.
Num belo dia recebeu a noticia de sua transferência para o Colégio Santa Bernadete, também em Salvador, em nome da santa obediência aceitou e partiu, claro que seu coração estava sangrando, afinal adorava cuidar dos doentes e enfermos.Irmã Dulce não reclamou, porem suas superioras perceberam o seu silencioso sofrimento, decidiram por autoriza-la a cuidar dos pobres e marginalizados da periferia.Seus olhos brilharam de emoção e gratidão, era tudo o que ela mais queria. Logo arregaçou as mangas e partiu para a ação, começou pela alfabetização dos filhos dos operários, em seguida com a evangelização das crianças e depois com adultos, assim como a alfabetização, indo inclusive para os pátios das fabricas no horário do almoço.
Irmã Dulce era um tudo para todos, seu jeito simples, alegre e humilde encantava a todos que sentiam o seu toque ou ouviam seus ensinamentos. Suas mãos viviam carregadas de provimentos para os mais necessitados, era um ir e vir sem conta. Em seu coração sempre achou que nada fez, tudo foi um nada diante do imenso amor de DEUS.Sempre com seu gesto de pedir de estender a mão em súplica pelos menos favorecidos, recebeu como recompensa um escarrada em suas mãos ao que prontamente respondeu:”Isso eu sei, é para mim e eu agradeço, agora seja generoso e abra o seu coração para os menos favorecidos, o homem meio que envergonhado e  sem jeito, tirou do bolso uma significativa quantia e colocou nas mãos de Irmã Dulce. Ela feliz da vida saiu louvando a DEUS por todas as coisas.
Muitos eram contrários aos seus gestos outros , não só apoiavam como ajudavam da melhor maneira que podiam, sua fama se espalhava pela grande Bahia de todos os Santos. Num belo dia, andando pela rua ouviu uns gritos:” Irmã Dulce, Irmã não me deixe morrer na rua”, era o grito de um menino de doze anos, que estava doente.irmã Dulce, prontamente tomou o menino pelas mãos, e sem nada para oferecer saiu com ele pelas ruas. Ao passar pela Ilha dos Ratos, um bairro pobre de Salvador, avistou um conjunto de casas abandonadas e não contando tempo pediu a um transeunte que arrombasse a porta da casa, arrombamento feito estava aberta a porta do primeiro Hospital de Irmã Dulce.
Tão logo apareceram outros doentes, mais casas foram arrombadas, assim sendo logo Irmã Dulce foi expulsa das casas com seus doentes,indo para os arcos da rampa, próximo a Igreja do Bom Fim, de lá foi expulsa pelo Prefeito. Sobrou somente um opção: Ocupar o  antigo galinheiro do Convento Santo Antonio, obteve para tanto o consentimento da superiora.Como a  mudança da Sede do Circulo Operário era necessária, Irmã Dulce e Frei Hildebrando foram de porta em porta pedir ajuda para comprar o terreno ao lado do convento, adquirido o terreno e com a ajuda dos operários do Círculo, foi construído o primeiro núcleo do Albergue Santo Antonio.Sómente em 1959, com recursos vindo de muitos lugares, foi construído o Hospital Santo Antonio e criada as Obras Sociais Irmã Dulce.Em seguida vieram o pavilhão para os idosos, centro de recuperação  e profissionalização dos Jovens, nos jovens ela colocava toda a sua esperança, nunca desanimava quando fugiam e retornavam para as ruas.Volta e meia achava um jeito de ir buscá-los.Nunca desistir, jamais desanimar o Senhor os amou primeiro...
Por duas vezes Irmã Dulce esteve com São João Paulo II, na segunda estava no Hospital bastante debilitada.Amada por muitos, admirada por todos, políticos, cantores, artistas, personalidades internacionais etc.Irmã Dulce dormia poucas horas por dia e pouco que dormia era numa cadeira de madeira, tipo cadeira do papai.Seu dia era de idas e vindas em busca de recursos para as suas obras, mesmo enfraquecida pela enfermidade(enfisema pulmonar com outros agravantes), nunca deixou-se  abater, era um consumir-se por amor; A DEUS e aos irmãos.
Seu martírio durou 16 meses no Hospital, seu consolo eram as irmãs, seus familiares, seus colaboradores e os pobres que tanto amava.No dia 13 de março de 1992, O Brasil recebeu com dor a noticia da morte de Irmã Dulce, o anjo bom da Bahia,  a Dulce dos Pobres, foi uma comoção geral e uma incontável multidão acompanhou o funeral e o cortejo fúnebre, muitas autoridades da Bahia e do Brasil se colocaram em fila para a despedida daquela que já  gozava a Bem-Aventurança do céu.
Sua relíquias foram trasladadas para a Igreja Imaculada Conceição da Mãe de DEUS, no ano de 2010, quando o então Papa Bento XVI, reconhecendo o milagre, declarou Irmã Dulce-Bem Aventurada.Que seu exemplo nos inspire, seu amor a Jesus Eucarístico, a Virgem da Conceição e a Santo Antonio nos motivem a viver melhor o Santo evangelho
Beata Irmão Dulce dos Pobres, rogai por nós...
PAZ E BEM

Marcio Antonio Reiser OFS

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Francisco de Paula Vitor


Bem Aventurado Apóstolo da Caridade

 

“A caridade é paciente, a caridade é bondosa, não é invejosa e nem orgulhosa” (1 Cor 13-4).

La pelas Minas Gerais do século XIX, tendo em vista as descobertas de ricas jazidas de ouro, foi crescendo o numero de pessoas atraídas pelo metal precioso, e com elas o trafico de negros escravizados  vindos do Continente Africano.O comercio de escravos era bastante rendoso e próspero pois as atividades agrícolas e a mineração exigiam uma grande demanda de mão de obra. Foi nesse cenário histórico que no dia 12 de abril de 1827, em Campanha-MG, nasceu o filho da escrava Lourença Maria de Jesus, que na Pia Batismal recebeu o nome de Francisco de Paula Victor e teve como madrinha a senhora Mariana Barbara Ferreira.

Conta-se que o pequeno Francisco não conheceu a figura paterna sendo que a única referencia que possuía era o sobrenome Victor, e o único documento que lhe deram foi a certidão de Batismo.

Francisco foi muito  influenciado pela bondade de sua mãe e pela piedade e generosidade de sua madrinha Mariana, foi Dona Mariana quem lhe ensinou as primeiras letras e as orações básicas de todo cristão.Tão logo entrou na adolescência, foi encaminhado por Dona Mariana para aprender o oficio de Alfaiate e continuar seus estudos.Um episódio marcante envolveu o dono da Alfaiataria quando este ouviu Francisco dizer que sonhava em ser Padre, ele e todos os outros aprendizes começaram a caçoar e debochar de Francisco.Seu Inácio, em tom severo sentenciou: Lembre-se, rapaz! No dia em que você for Padre, as minhas galinhas criarão dentes...Não se esqueça de quem é escravo, é escravo e basta!Não tem nenhum direito!

O que percebemos é que Francisco apesar de todas as ofensas e humilhações jamais perdeu a ternura, nunca guardou mágoas ou ressentimentos de ninguém e também nunca desistiu de seus sonhos, o Sacerdócio era o que mais desejava viver.

Ao saber do episódio, Dona Mariana prometeu ajudá-lo, e disse que falaria com o Bispo Dom Antonio Ferreira Viçoso na próxima visita que fizesse a Campanha.Dom Viçoso foi sempre um fiel defensor da Abolição da Escravatura, defendia os negros e por sua posição abolicionista conquistou muitos inimigos e também muitos admiradores.

Conforme o prometido, tão logo Dom Viçoso pisou em Campanha, la estava Dona Mariana com seu afilhado Francisco na porta da casa Paroquial, a emoção de ambos era imensa,  acaso o senhor Bispo recusaria um pedido de Dona Mariana? Dom Antonio, ao ouvir o pedido de Dona Mariana, ficou profundamente emocionado e logo quis ouvir os argumentos do jovem Francisco. Francisco expos todos os seus sonhos e anseios em se tornar um Sacerdote, foi tão convincente que o Bispo logo aceitou.Todos foram as lagrimas e dona Mariana tranquilizou o Senhor Bispo quanto ao enxoval e tudo quanto fosse necessário para o novo seminarista.

O dia 05 de Junho de 1849, estando Francisco com 22 anos, foi marcado para sempre, afinal na manhã daquele mesmo dia, La estava nosso jovem na porta do Seminário Diocesano de Mariana.Não se pode negar que sua chegada foi marcada pela rejeição e pela discriminação, seus colegas num primeiro momento não aceitaram a ideia de estudarem com um escravo, alguns foram mais brandos outros mais rigorosos,porem, com a intervenção do senhor Reitor, todas as questões foram resolvidas, pelo menos aparentemente.Francisco se destacava pela sua inteligência, era atencioso com todos principalmente para com aqueles que mais dificuldades apresentavam nos estudos e que por coincidência eram aqueles que mais o rejeitaram na sua entrada no Seminário.Em seu coração não havia espaço para rancores e mágoas era tudo para todos e estava sempre pronto para executar toda e qualquer tarefa e tudo fazia com alegria.Dia a dia todos no Seminário ficavam edificados com os gestos e as atitudes do jovem Francisco.

O tempo dos estudos chegava ao final, tudo estava pronto para a sua ordenação, tudo era emoção uma emoção de todos a começar por sua mãe, sua madrinha Dona Mariana, o próprio Dom Viçoso estava muito ansioso pois em sua Diocese seria ordenado o primeiro Padre negro do  Brasil,o próprio Francisco estava radiante. Enfim chegara o dia tão esperado, dia 14 de junho de l851, Francisco recebe das mãos de Dom Viçoso as ordens sacras e todos, ao final da celebração, se achegam diante do Neo- Sacerdote para beijar-lhe as mãos e pedir-lhe a benção.

Dom Viçoso anuncia que Padre Victor será o novo Vigario Paroquial em sua cidade natal, Campanha, todos aplaudem com emoção, tudo é encantamento para o novo Padre e para a comunidade paroquial, bênçãos nas casas, nos estabelecimentos comerciais, sítios,  animais etc.

No ano seguinte, no dia 13 de junho de 1852(Dia de Santo Antonio de Padua),Padre Francisco de Paula Victor assume a Paróquia da cidade de Três Pontas-MG e la permaneceu por 53 anos.Padre Victor, como ficou conhecido, tornou-se tudo para todos, conquistou a todos com sua bondade, sua presença era remédio para os doentes e enfermos, sua alegria contagiava os tristes e abatidos, era amado por todos...

Foi zeloso catequista, seus encontros catequéticos eram marcados pelas histórias Bíblicas e pelas vidas dos santos. Padre Victor prezava pela formação de seus paroquianos e para eles construiu  a Escola Sagrada Familia, uma escola referencia para todos,  sem distinção de classe social, enfim para ricos e pobres, senhores e escravos etc.Pessoas ilustres passaram pelos bancos escolares da Sagrada Familia.

No seu ofício de sacerdote foi incansável, nuca deixou seus paroquianos sem a Santa Missa, seu tempo era todo destinado a salvar almas, nutria um amor incondicional pela Virgem Maria e pela Sagrada Eucaristia.Sempre foi pobre, sua única fonte de renda eram as esmolas e delas fazia uso em favor dos mais necessitados, sua casa era refúgio dos pobres e desvalidos, nada considerava de seu, tudo era de todos.

O dia 23 de setembro de 1905, marcou profundamente a cidade de Três Pontas, o Pároco Padre Victor, estava com 78 anos,  e foi vitima de um AVC que o levou a óbito, não tinha nada de seu, alem da roupa do corpo.A notícia deixou a cidade em estado de choque, todos choravam a morte do pai de todos o Cura de Três Pontas voltava para a casa do PAI.

Seu corpo permaneceu por três dias sendo velado, pois o numero de pessoas que chegavam a cada momento, era incontável, pelos três dias, de seu corpo exalou um suave perfume.O sepultamento foi marcado pela presença de incontáveis autoridades civis, eclesiásticas, militares, todos queriam dar adeus ao Santo de Três Pontas.

Hoje seus restos mortais  repousam na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda em Três Pontas, graças incontáveis lhe são atribuídas, muitos peregrinos ao longo desses 111 anos recorreram a sua intercessão.

No dia 14 de novembro de 2015, a Igreja declara Padre Francisco de Paula Victor, Bem Aventurado, que possamos com seu exemplo e seu amor, seguir Jesus Cristo e viver o Santo Evangelho.

PAZ E BEM

Marcio Antonio Reiser OFS.