domingo, 1 de janeiro de 2017

Belém - Casa do Pão:


 “Em Belém, na Judéia, porque assim  foi escrito pelo profeta:’E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará  Israel, meu povo’(Miq  5,2)”.

As Sagradas Escrituras nos contam que  o  Imperador Cesar Augusto, decretou  um edito ordenando o recenseamento em todo o  território de seu domínio, importava saber o numero exato de habitantes para também saber o quanto se arrecadaria de impostos.E todos iam se alistar, cada um na própria cidade.José recebe a noticia com certa apreensão, deveria ele  partir com sua esposa Maria, que  estava grávida e próxima de completar o tempo.O destino do jovem casal era Belém da Judéia, terra do Rei DAVI, eles(José e Maria) pertenciam a linhagem real do grande Rei de Israel. Não tinham escolha, sairiam de Nazaré da Galiléia para uma aventura sem precedentes na História do povo de DEUS.
Pobres, como eram,   arrumaram seus humildes e simples pertences sobre o lombo do jumentinho faceiro, ainda sobre o lombo e sobre as mantas e provisões, José ajeita cuidadosamente a futura mamãe e partem; Pensam que logo estariam  de volta, então não levariam muita bagagem, porem...
Ao longo do caminho ouve-se um cantar festivo de pássaros diversos que anunciam a manhã de um novo dia, eram tão harmoniosos que  mais pareciam fazer parte de um grande coro de sons  diversos.
José, que traz com toda a segurança as rédeas do jumentinho, olha para Maria e com um sorriso franco no rosto diz: Maria, você percebeu como os pássaros cantam jubilosos parecendo saudar-te? Penso que eles, assim como toda a natureza, reconhecem o fruto divino que trazes em teu ventre, O Filho de DEUS!
A jovem Maria, também esboçando um lindo e luminoso sorriso responde: Não é de hoje que percebo tais manifestações da natureza, e o que mais me encanta são os movimentos do  Menino, em meu ventre, parece gostar de tudo isso, sente-se lisonjeado.
Ouve-se  o soprar do vento frio de uma manhã ensolarada de inverno, o jumentinho segue em frente, orgulhoso  por carregar a sua rainha,as marcas  de   suas ferraduras ficam impressas no caminho pedregoso , marcas que o tempo registrara para sempre, pois foi o caminho trilhado pelo filho de DEUS.
Devemos parar um pouco, o animal precisa de água e nós de um pouco de descanso, exclamou José. Maria gesticula, positivamente, com a cabeça,  e fazem a primeira parada.Todo o pouco que trouxeram para comer é preparado por Maria com carinho para o seu dedicado esposo.Saboreiam  a refeição e descansam a sombra de viçosas palmeiras.
Enquanto José cochila, Maria arruma o que sobrou nos vasilhames e prepara tudo para seguir viagem.Por alguns momentos Maria se detém a contemplar o horizonte, acaricia seu ventre falando com seu filhinho palavras de amor, ao que o pequeno responde com gestos de ternura.O tempo parece se cumprir, a jovem mãe sente em seu coração que a hora se aproxima, é preciso partir, e assim acorda José, que encilhando o jumento, toma Maria em seus braços e a coloca sobre o dócil animal!
E lá se vão, Belém que nos aguarde! José olha para Maria com ternura e diz: Sabe Maria, tudo o que estamos vivendo parece um sonho,  o sonho que tive quando o anjo me comunicou que você estava grávida e que o filho de suas entranhas era o Filho de DEUS, o Messias esperado, parece que ainda não terminou, essa doce espera me traz um misto de alegria e ao mesmo tempo de preocupação, afinal, quem sou eu  para merecer tão grande privilégio?
-José, meu bom José, disse Maria, o Senhor nos escolheu, nos preparou e nos chamou, somos instrumentos de seus planos de amor, o nosso sim total  permite que o Senhor nos conduza e nos leve para onde bem entender, nossas vidas, nossos sonhos...tudo enfim esta nas mãos de DEUS.
-Você tem razão Maria! Se assim não fosse, porque estaríamos tendo que ir a Belém então? O que será que nos espera na cidade do grande Rei Davi? Sinto que meu coração vai explodir quando penso nisso! –Disse José. Não se angustie, tudo vai correr muito bem, pois a palavra de DEUS nos garante isso.-Falou Maria!.
A noite ia avançando e eis que surge por detrás das montanhas, a singela e bela Belém de Judá, José suspira aliviado, estamos próximos, e assim  logo outros peregrinos se juntam ao jovem casal e entram juntos na cidade! Belém parece estar em festa, é grande o numero de pessoas, descendentes do Rei Davi, que vieram para o recenseamento.
Naquele aglomero de gente, um frio cortante e o cansaço, fizeram com que José logo buscasse abrigo para  que ambos pudessem descansar, principalmente Maria...
Todas as hospedarias estão lotadas, as estalagens não comportam mais ninguém.Algumas vagas surgem, porem os recursos  que eles dispõem são escassos, não cobrem as exigências.Os campos, ao redor da cidade, estão lotados, porem lá, Maria não poderia ficar, seu estado não permite.E lá se vão eles pela noite em busca de um lugar...
Alguém informa sobre uma estrebaria, um pouco mais afastada da cidade, e para lá partem, cheios de esperança.Encontram o local, num primeiro momento parece impróprio, afinal é um lugar onde se guardam animais e assim sendo, tem excrementos, feno, ferramentas, algumas ovelhas e um cheiro não muito bom.Maria insiste com Jose para que fiquem por ali mesmo, o cansaço já era muito, precisam descansar.
Dormem bem o sono dos justos, e logo pela manha, José acorda e sai em busca de um lugar melhor.Maria levanta e cheia de alegria começa a preparar a estrebaria, limpando,lavando e arrumando tudo a seu gosto. Sai em busca de gravetos para fazer um fogo, ferve água, prepara um caldo de legumes, reforçado, para Jose, alguns pães, mel e frutas.Tudo esta pronto para a chegada de seu esposo José.Quando ele chega e encontra tudo bem diferente, sente um novo entusiasmo e se lava para a refeição.Tudo estava delicioso, um manjar divino.
Já estavam no fim da refeição, quando de repente ouvem um grito autoritário. Era o dono da estrebaria  que furioso por ver os “hospedes”, sai para cima deles para expulsá-los.
-Saiam imediatamente de minha propriedade!
-José argumenta, oferece os poucos trocados que tem, porem não tem acordo, o homem estava irredutível. Devo guardar minha vaca e ir para minha casa, estou cansado disse ele!
-Maria, toma Jose pelo braço e o convence a arrumar seus pertences e ir embora. E assim o fazem, partem sem saber para onde. O dono da vaca e da estrebaria, luta por tentar colocar o animal para dentro da estrebaria, e nem com todo esforço empregado, ele  consegue. A vaca não se move do lugar, recusa-se  entrar no lugar de onde  a Mãe do Senhor  foi expulsa!

O homem, já sem paciência, vai ao encontro de Jose e Maria e pede que eles retornem, afinal a jovem mãe esta em estado avançado de gravidez. Exige os trocados oferecidos por José e diz que se eles quiserem podem tomar do leite daquela vaca teimosa, por certo disse ele, ela tem um coração melhor do que o meu.Fiquem por ai o tempo que desejarem, eu vou pra minha casa.
Retornam a estrebaria felizes da vida, e tão logo eles entram a vaquinha entra atrás e naquela mesma noite o Filho de DEUS veio ao mundo, anunciado pelos anjos, saudado pelos astros celestes! Era tão pequenino e indefeso que só encontrava consolo nos braços ternos de Maria, era alimentado pelo leite virginal de Maria e adorado por aquele que fez as vezes de DEUS aqui na terra, José , o justo esposo da sempre Virgem Maria.Paz e bem e Feliz Natal.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Nossa Senhora da Saúde : És Maria, a Saúde dos Enfermos!


...Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios...(Padre Antonio Vieira).

Desde o primeiro instante de nossas vidas sentimos e experimentamos os mais diversos tipos de dor e de sofrimento, ele é parte integrante de todo ser vivo, nascemos, crescemos, amadurecemos  e  morremos, é o ciclo natural da vida.Nossos primeiros meses de vida, foram um misto de alegrias e dores, dores de cólicas, febres, os dentes rasgando etc   Nosso corpo já luta e se debate, é a  nossa natureza se impondo pela sobrevivência.
Nós, que trazemos  em nossos corações a certeza da vida eterna, devemos encontrar no sofrimento e na dor , não o desespero mas uma oportunidade de santificação.Toda  dor e todo sofrimento nos proporcionam momentos de reflexão sobre a nossa vida  e nossas escolhas.
Herdamos o pecado original, tivemos a graça, de com o Batismo apagar a mancha que ele nos deixou, porem as consequências do mesmo, trazemos em nossos corpos e elas nos acompanharão até o nosso ultimo suspiro. Devemos lembrar que o SENHOR não nos criou para o sofrimento e para a dor, Ele nos ama e deseja a nossa felicidade total, e esta somente poderemos gozá-la no Paraíso.
O Senhor Jesus veio até nós para nos ensinar o caminho que nos leva ao Pai, Ele tomou nossa humanidade, fez-se  igual a nós em tudo, exceto no pecado. Disse Ele:”Eu Sou o Caminho a Verdade e a Vida” e depois acrescentou:”Quem quiser me seguir tome a sua cruz e venha atrás de mim”.Em momento algum Ele disse que o seguimento seria fácil, então coragem!
Todo aquele que sofre, deve ter sempre o olhar fixo no Crucificado, deve contemplar as chagas dolorosas de Jesus,  o rosto desfigurado, a cabeça marcada com os cruéis espinhos da coroa,o corpo febril, marcado pelas chicotadas, dolorido e se contorcendo em câimbras, sua respiração  ofegante, seu olhar de compaixão e sua voz tremula, porem  corajosa, identificam o seu gesto de amor! Ao que sofre, recomendo que experimente o balsamo do sangue preciosissímo  sobre suas dores e feridas, e sinta o alivio imediato...
Desde a mais tenra idade  que encontramos conforto e alivio no colo de nossas mães.O Senhor nos presenteou com esses seres especiais que chamamos de mãe.É no colo da mãe  que a criança sente confiança, sente alivio, e se sente segura.O Senhor fez esse ser tão especial, que desejou ter uma  para  Si! O Senhor,  pensou em Maria e a escolheu para Mãe do seu filho Jesus, o Verbo encarnado!
Jesus, como homem, também teve seus momentos de dores e sofrimentos, sabemos que Jesus chorou!Mesmo sem trazer em si, a mancha do pecado original, Jesus quis compartilhar  da nossa humanidade sofredora, tomou as nossa dores!
Em se tratando do homem  Jesus, devemos imaginar uma criança, um adolescente, um jovem e um adulto que nas horas difíceis buscava consolo e conforto no colo de Sua Mãe Maria!Era Ela que acalentava o coração de Jesus e o fazia adormecer em seus braços.
Do alto da cruz redentora o Senhor nos mostrou a quem deveríamos  recorrer nos momentos de dor e sofrimento, Aquela que esteve de pé aos pés da cruz, Sua Mãe...
Hoje como ontem, devemos recorrer aquela que é a Saúde dos Enfermos, aquela que nunca nos abandona e sempre nos mostra o que devemos fazer, como fez em Caná  da  Galiléia: ”Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Carinhosamente a Chamamos de Nossa  Senhora da Saúde, tendo em vista que herdamos tão sublime devoção dos nossos irmãos portugueses que para cá vieram! Conta-se que em Portugal do século XVI, o povo sofria com as consequências da grande peste que assolava a Europa .Somente no ano de 1569 o contagio chegou ao Maximo, vitimando mais de 600 pessoas por dia, somente em Lisboa. O Rei  Dom . Sebastião  esgotou todos os esforços, tudo em vão! Parecia que era o fim!
Foi quando o Povo se reuniu, em grande numero e buscou refugio em Nossa Senhora.Foram procissões, novenas, Missas  incontáveis... até que a epidemia foi enfraquecendo  de tal maneira que se extinguiu.O povo, com gestos de gratidão elevou o coração a DEUS e rendendo graças exclamavam:”DEUS seja Louvado” e viva a Senhora da Saude.A  feliz noticia se espalhou por toda a Europa e em pouco tempo, era Maria chamada pelo singelo e oportuno título de “NOSSA SENHORA DA SAÚDE”.
O Brasil recém descoberto, viu-se embalado com as noticias da corte, e em varias de suas Capelas, Igrejas, Hospitais  tomou-se a Senhora da Saúde como Padroeira, Patrona etc.
Hoje , como no Século XVI, o povo vive em busca de alivio para suas enfermidades e para tanto devemos recorrer a Senhora da Saúde assim:
“Virgem Puríssima, sois a saúde dos enfermos, o refugio dos pecadores, a consoladora dos aflitos e a despensadeira de todas as graças. Na minha fraqueza e  no meu desânimo, apelo hoje para os tesouros da Vossa Misericórdia e bondade e me atrevo a chamar-vos pelo doce nome de Mãe.Sim ó Mãe, atendei-me nesta enfermidade, daí-me a saúde do corpo, para que possa cumprir os meus deveres com animo e alegria, e com a mesma disposição servir ao Vosso Filho Jesus e agradecer a Vós, SAUDE DOS ENFERMOS.Amem.
Paz e bem!
Marcio Antonio Reiser OFS





Santa Elisabeth da Trindade OCD.

16  de   outubro..

“A vida no Carmelo é uma comunhão com DEUS desde a manhã até a noite e da noite até a manhã. Se Ele não estivesse presente  em nossas celas e nossos claustros, como tudo seria vazio! Mas nós o descobrimos em tudo porque o trazemos conosco, e nossa vida é um céu antecipado”(Elizabeth da Trindade).

Próximo do início do verão, mais precisamente no dia 18 de julho de 1880, num acampamento militar de Avoir(França), perto de Bourges, nasceu ISABEL CATEZ ROLAND, nome recebido na Pia Batismal no dia 22 de julho do mesmo ano.Isabel , era filha de Francisco Jose Roland e de D.Maria Catez Roland.
A menina de olhos vivos e temperamento explosivo, foi sempre um referencial em sua família, era geniosa e inquieta, estava sempre em busca de alguma coisa e por ser muito pequena não entendiam  o motivo de tanta ansiedade! Talvez um mover de DEUS?
Sempre ouvimos que DEUS  prepara aqueles que chama, e assim foi moldando a pequena Isabel que com o tempo tornou-se uma Jovem amorosa, dedicada e compassiva para com todos, quando entrou na juventude, já era uma jovem terna, dedicada aos exercícios de piedade e a pratica da religião.
Como seu pai era um oficial militar francês, ele foi transferido para Dijon, e foi lá que recebeu o premio do Conservatório de Piano, como a melhor e mais dedicada aluna. Isabel, sempre nutriu em seu coração inquieto, o desejo de  tornar-se religiosa deu seus primeiros sinais aos 7anos de idade! Porem foi somente aos 21 anos que ingressou no Carmelo, e adotou o nome de Irmã Elizabeth da Trindade.
Sua vida, como carmelita descalça, revelou ao mundo uma riqueza imensa de escritos e tratados sobre a Trindade Santa, e dizia ela que :”DEUS é tudo em todos”.Suas cartas, seus escritos nos dão conta do quanto essa jovem mergulhou no mistério de amor de um DEUS que é Pai, Filho e Espírito Santo,”DEUS esta dentro de tua alma”, repetia constantemente.
Irmã Elizabeth inebriava-se de amor em seu TRÊS, e foi nesse amor que emitiu seus votos perpétuos no dia 11 de janeiro de 1903, era uma apaixonada pela vida de carmelita, encantava-se com os escritos de Santa Tereza D’Avila e São João da Cruz, era um doar-se a DEUS inteiramente, sem reservas.
A  ascese e a  mística jamais fizeram de Irmã Elizabeth uma pessoa  distante de suas obrigações diárias com a vida de carmelita, era dedicada aos trabalhos mais simples e tudo suportava com amor e resignação.Era simples em tudo o que fazia e escrevia, colocava amor em tudo e seus olhos eram como que janelas abertas para o desconhecido, negros, vivos e brilhantes.Seis anos se passaram desde que entrou para o Carmelo de Dijon, e Irmã Elizabeth, começou a sentir-se fraca, uma tosse insistente não a deixava em paz e em poucos dias constatou-se o pior, Irmã Elizabeth estava com a doença de Addison(Tuberculose), até então incurável, alem de uma ulcera estomacal Em seus momentos de dor exclamava:”Vou à luz, ao amor, à vida”
Irmã Elizabeth entrega-se totalmente ao seu TRÊS no dia 09 de novembro de 1906, estando com 26 anos e deixando ao mundo católico uma obra grandiosa que se distinguem em Elevações, retiros, notas espirituais e cartas.
Foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 25 de novembro de 1984 e será canonizada no dia 16 de outubro de 2016, pelo Papa FRANCISCO, na Praça de São Pedro em Roma.

“SOFRER É COMPARTILHAR A CRUZ DE JESUS.COM UM OLHAR NO CRUCIFICADO, O SOFRIMENTO SE TRANSFORMA EM ORAÇÃO”.

Amem Paz e Bem!
Marcio Antonio Reiser OFS.

domingo, 11 de setembro de 2016

Santa Teresa de Calcutá: A Santa das sarjetas

04 de setembro 2016.

“Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos esta preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era peregrino e me acolhestes, estava nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, estava na prisão e viestes a mim...”Mateus 25, 34-36.
O próprio Senhor Jesus, no texto acima, nos ensina o meio mais eficaz de alcançar a santidade, são pequenos gestos, feitos com amor, e que nos apontam  para a posse do reino que para todos foi preparado, a Santidade é para todos, pois o mesmo Senhor disse:”Sede santos”
Santa Teresa de Calcutá nos deixou um legado de obras de misericórdia de grande importância,seu jeito simples, seu olhar terno, suas palavras doces e também cheias de verdade deram ao mundo  um novo vigor evangélico, afinal sua vida era o próprio Evangelho-A boa nova, o reino anunciado e vivido naquela franzina Irmã da Caridade.
Todos nós, cristãos batizados em nome da Trindade Santa, recebemos as  virtudes da Fé,da Esperança e da Caridade no exato momento do nosso batismo e são essas virtudes que nortearam toda a nossa vida no caminho de santidade e quando chegarmos ao final dessa  vida e já diante do trono do Altíssimo, seremos julgados pelos nossos atos e gestos de amor(caridade).

Afinal, quem foi Santa Teresa de Calcutá?

Nascida no dia 27 de agosto de 1910, na Albânia,na Pia Batismal recebeu o nome de Agnese  Bojaxhiu, porem era carinhosamente chamada de Gonxha= Botão de flor.Seus pais eram  Nicolau e Drone,  ele comerciante, construtor e também exercia forte influencia nos meios políticos da cidade, foi eleito vereador.No ano de 1919 foi envenenado pelos seus opositores políticos.Com  a morte de Nicolau, a senhora Drone, ate então dona de casa viu-se obrigada a arregaçar as mangas e partiu para o trabalho informal, vendendo tapetes, bordados e artesanato.Lazar, Agnese, e Agata, tiveram a mais sólida educação baseada nos princípios éticos, morais e  cristãos, Nicolau era rigoroso, porem bondoso e compassivo,Drone era corajosa,meiga e piedosa.Próximo a casa da família tinha uma Igreja e incentivados pela mãe participavam da missa diária e a noite  todos rezavam o rosário.Dona Drone fazia questão de lembrar os filhos a palavra de JESUS que dizia:”O que fizerem a um pobre, por amor a mim, é como se fizessem a mim”.Agnese e seus irmãos, junto com sua mãe, frequentemente visitavam famílias pobres da periferia, a jovem Agnese frequentemente voltava aquelas casas para brincar com as crianças assim como  ensinar as primeiras letras.
Foi na adolescência que Agnese sentiu os primeiros impulsos vocacionais, o desejo de ser Missionária, de estar a serviço dos mais pobres e desvalidos tornou-se uma constante em seu jovem coração! Enquanto ajudava a mãe nos trabalhos domésticos entretinha-se com as leituras de testemunhos de missionários na INDIA. A semente estava sendo plantada...
Agnese foi em busca de seus sonhos e do seu chamado,  assim descobriu que as Irmãs da Congregação de Nossa Senhora de Loreto tinham uma casa em Bengala na India.Decidida ,partiu para Dublin(Irlanda), sede da Congregação e lá ficou alguns meses em preparação para se tornar uma religiosa.Sendo aprovada, iniciou uma longa viagem para Darjeeling(India), onde em 1928 iniciara o noviciado.
Na Solenidade de Nossa Senhora Auxiliadora, dia 24 de maio de 1937, fez sua profissão perpetua e passou a ser chamada Irmã Teresa, daquele dia em diante trabalhou como professora secundaria por dez anos.No dia 10 de setembro de 1946, estando Irmã Teresa em viagem de trem com destino a Darjeeling, sentiu em seu coração, como que a  arder em chamas de amor, era a voz do SENHOR a lhe chamar.Teresa decide deixar a Congregação para ajudar os pobres das sarjetas, os leprosos agonizantes das  vielas, as crianças famintas e os velhos esquecidos..Foi somente no dia 02 de abril de 1948, que o Papa Pio XII, autorizou Teresa a ser freira fora dos muros do Convento, sua casa seria as ruas, escolheu dormir ao relento , comer da mesa dos miseráveis, os tempos primeiros enchiam seus olhos de lágrimas, lagrimas do medo das incertezas, das injustiças, das misérias e do sofrimento alheio.Para se tornar mais próxima, troca o habito preto por um sári branco de listas azuis, tal qual as mulheres indianas!
Quando chegou a India, como Missionária da Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, trabalhou no Colégio St.Mary’s High School, Escola para os filhos dos ricos e poderosos, ao lado ficava a Favela Motijheel e foi justamente nessa favela que Irmã Teresa decidiu iniciar sua obra, Calcutá seria o seu campo de ação e o lugar pelo qual seria conhecida por toda a sua vida,Madre Teresa de Calcutá.
Outras irmãs vieram, sentiram-se chamadas e tocadas pelo amor de Madre Teresa, os gestos de amor e dedicação aos leprosos, dando-lhes banhos, trocando ataduras daquelas feridas  e daqueles membros em decomposição.Teresa era só amor, em cada gesto e em cada situação!
Em pouco tempo, já eram muitas, e assim  foi necessário adquirir um espaço para abrigá-las, assim como os pobres.Viviam da providencia, tudo lhes era dado como esmola, não poderiam as irmãs ter mais do que os pobres, a ninguém foi negado o acolhimento na casa das Irmãs, não importava o estado de saúde, a idade, o que importava era ver JESUS em cada irmão acolhido.
Madre Teresa e as Missionárias da Caridade passaram a ser conhecidas e respeitadas não somente na India mas em todo o mundo.Lideres Religiosos, Chefes de Estado, artistas, ativistas, sacerdotes, religiosos, bispos, cardeais, iam ao encontro de Madre Teresa e nela encontravam meios de ajudar os mais necessitados.
Foi Madre Teresa uma incansável embaixadora da luta contra o Aborto, falou aos lideres mundiais na ONU, criticou chefes de estados que aprovavam a lei do aborto, condenou as ações disfarçadas  das feministas(abortistas), desmascarou falsas intenções, não se curvou diante das ameaças e dos poderosos.Foi sempre um mulher corajosa e um símbolo mundial da luta pela paz, o que lhe conferiu o Premio Nobel da Paz  no ano de 1979.
Madre Teresa foi consumida pelo amor, gastou-se e esgotou-se de amor a DEUS a aos irmãos, sua vida foi apagando-se como uma vela  ate que seu coração cheio de amor e bondade não aguentou mais de saudades de DEUS e parou de bater no dia  05 de setembro de 1997.Calcutá ,a Índia, o mundo parou para se despedir da Missionária da Caridade e já naquele momento chamada por todos como Santa, Santa Teresa de Calcutá!
Foi  beatificada por São João Paulo II no dia 19 de outubro de 2003 e canonizada pelo Papa Francisco no dia 04 de setembro de 2016.
“Ó meu Deus, por livre escolha e por teu amor, desejo permanecer aqui e fazer o que a tua vontade exige de mim. Não darei nenhum passo para trás. Minha comunidade são os pobres. Sua segurança é a minha. Sua saúde a minha saúde , minha casa é a casa dos pobres dentre os mais pobres.daqueles que ninguém se aproxima por medo de contágio e da sujeira, que esta coberto de micróbios e de ratos.daqueles que não vão rezar porque estão nus.Dos que já não se alimentam porque sequer tem forças para comer.Daqueles que caem nas ruas conscientes de que vão morrer e que , ao lado deles, caminham os vivos, que não prestam a mínima atenção.Daqueles que já não choram porque suas lágrimas já se esgotaram!”
Santa Teresa de Calcutá –Rogai por nós, que recorremos a vos!
Paz e bem!









terça-feira, 9 de agosto de 2016

Nossa Senhora da Glória



“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma mulher revestida de sol, a lua debaixo de seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas”.(Ap 12,1)


Aos pés da cruz estava Maria, de pé, testemunhando a maior prova de amor que a humanidade teria: o Senhor Jesus morre na cruz para nos dar a vida eterna.
Ao ser descido da cruz, o Senhor é colocado sobre os braços de sua mãe, e ali, ele é novamente o filho de Maria. Aquela mãe dolorosa acaricia seus cabelos ressequidos de sangue, beija seu rosto desfigurado e toca suavemente as chagas de suas mãos. Quantas lembranças! Tudo quanto ela guardava no seu coração começava a ser desvendado.
Jesus é lavado e colocado no túmulo, e sua mãe assiste a cena com o coração silencioso, confiante na promessa da ressurreição.
Diz o evangelho secreto da santíssima Virgem, relatado a São João pela própria Virgem Maria: “Na madrugada de sábado para domingo... Rezando e chorando, de joelhos junto à cama, voltei a adormecer. A cabeça e os braços sobre o leito, não sei quantas horas estive assim, só me lembro que, igual a trinta e quatro anos antes, senti, de repente, que havia alguém no quarto em que despertei sobressaltada... Tinha a sensação de que uma luz extraordinária brilhava ao meu redor ainda que tudo continuasse as escuras.
Então vi... Ali estava e era Ele, esperando e velando o meu sono. “Filho”, gritei e me lancei em seus braços. “Mãe”, disse-me enquanto passava a mão por meus cabelos em desordem, “tranqüiliza-te”.
 Já aconteceu tudo. Estou de novo aqui contigo! Então me beijou... “Vencemos Mãe, vencemos. Enfim derrotamos o maligno. Finalmente a morte esta proscrita. A batalha dura e angustiante, mas a vitória é nossa e é definitiva. Também tu tiveste parte nela... Quanto me ajudou tua fortaleza e como me consolou ver-te ali junto à cruz, cheia de fé e de esperança”.
“O ultimo inimigo a ser destruído é a morte”.
 Lemos na primeira carta aos Coríntios. A morte, fruto do pecado, já não tem mais poder sobre quem não tem pecado. “Ave, cheia de garça”, disse o anjo a Maria, por que nela não há espaço para o que não é a vida de Deus.
Após 40 dias, gloriosamente ressuscitado, Jesus subiu ao monte das oliveiras... Abençoou os seus e se elevou ao céu por seu próprio poder... Dois anjos vestidos de branco vieram lembrá-los das realidades da vida. A Virgem e os discípulos retornaram juntos ao cenáculo.
Juntos estavam no cenáculo, 50 dias após a ressurreição, Maria e os apóstolos quando o Espírito Santo prometido veio sobre eles e todos ficaram cheios do poder de Deus, ali em Pentecostes nasceu a Igreja de Jesus Cristo com Maria e as doze colunas (os apóstolos) que a sustentariam e sob o comando de Pedro, hoje Bento XVI.
Maria devia passar ainda muitos anos sobre a terra (dizem alguns que foram 30 anos), onde saboreara alegrias na intimidade de seu filho presente na Santa Eucaristia. Privada doravante de sua presença visível, ela devia exercer junto à Igreja nascente o papel de mãe, que lhe havia confiado o próprio Jesus.
Segundo a tradição, Maria recebeu Jesus eucarístico, pela primeira vez das mãos do Apóstolo Pedro, e depois que foi com João evangelista para Éfaso, recebia diariamente das mãos do Apóstolo que Jesus amara, e que confiou sua mãe, por não ter irmãos.
Quanto mais se prolongava o exílio, mais aumentava o desejo de partir e ir ao encontro de seu filho, e quando chega o momento, por ela tão esperado, e pressentindo que era chegada a hora de ir ao encontro de seu filho, Maria volta para Jerusalém, os Apóstolos são avisados e todos se dirigem para Jerusalém para as ultimas recomendações e despedidas.
Quando a Imaculada exalou o ultimo suspiro, os apóstolos lhe prepararam piedosamente os funerais, a Santíssima adormeceu no Senhor, e foi sepultada conforme os costumes judaicos, num tumulo que se encontra na vizinhança do Gethesêmani. Segundo uma piedosa tradição, o anjo Gabriel, que a havia saudado cheia de graça, visitou-a novamente e lhe anunciou a noticia de sua próxima partida.
Três dias depois do sepultamento, conforme a tradição, chegou o apostolo Tomé. Pesaroso por não ter podido assistir a despedida da Mãe, (conforme era chamada por todos os Apóstolos), insistiu com os apóstolos para que lhe abrissem o sepulcro para que pudesse contemplar pela ultima vez o rosto virginal de Maria.
Os apóstolos cederam, mas quando abriram o tumulo, encontraram-no vazio. Só acharam os lençóis de linho, alvíssimos, e que exalavam um perfume celestial, belas rosas cobriam a pedra e a piedosa correia, que a Santíssima Virgem usava na cintura.
Era costume na Judéia, andarem as mulheres cingidas com uma correia, desde pequenas como símbolo de pureza. A santíssima Virgem Maria, como toda a judia, também usou, durante toda a sua vida, uma correia, sendo com ela sepultada.
Diz ainda, a tradição, que o apostolo Tomé venerou, com muito respeito, a correia de Maria e, daquele dia em diante, usou uma correia semelhante em homenagem a Mãe. A correia original ficou no sepulcro e mais tarde Santa Pulquéria, a fez transportar para Constantinopla e colocá-la numa magnífica igreja em honra a Nossa Senhora,e assim, começou a difusão da Sagrada Correia entre o povo fiel.
A Santíssima Virgem Maria é levada aos céus pelos anjos de Deus. Aquele corpo imaculado, que gerou o Salvador da humanidade, não poderia conhecer a corrupção.
“Quem é esta que sobe?” Assim teriam perguntado uns aos outros, os espíritos celestes que aguardavam a subida da Imaculada, pasmados de sua inefável beleza. “Quem é esta que sobe como a aurora, quando se levanta, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha? Quem é esta que sobe do deserto, inebriada de delicias, apoiada sobre seu amado?”. (Cant, 6,9;8,5).
Seu amado filho Jesus indo ao encontro de sua mãe dulcíssima, tê-la-ia convidado e chamado com carinhosas frases repassadas de amorosas saudades, e conduzida por Jesus até o trono do Pai celeste, este coroa a sua dileta filha com a coroa do poder, para que se torne a rainha do céu e da terra.
O Verbo Encarnado coroa sua Mãe Imaculada com a coroa da sabedoria, para que se torne nossa “Mestra e a sede da sabedoria”.
O Espírito Santo coroa sua castíssima esposa com a coroa do amor e da graça, para que se torne a “Medianeira e dispensadora das graças divinas”.


O Dogma


Atendendo a expectativa e a pedidos do povo católico do mundo inteiro, o Papa Pio XII definiu, em 1950, na Assunção de Nossa Senhora, como dogma de fé, pela constituição apostólica munificentissimus Deus, e afirmou: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma a gloria celestial”. 1º de novembro de 1950

Bendita seja sua glória e Assunção Gloriosa.

domingo, 31 de julho de 2016

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus

09 de julho

“Não desanimeis nunca, embora soprem ventos  contrários”

Como não falar com emoção de Santa Paulina, afinal ela esteve sempre tão próxima de nossas vidas, somos quase vizinhos e para chegar ao seu destino, ela desembarcou as margens do Rio Itajai, atravessou a nossa cidade de Itajai e com seus familiares e os demais Imigrantes italianos seguiram em direção a terra prometida a Nova Trento das terras catarinenses.Tive a graça de visitar Trento-Italia e conhecer sua casa paterna, tudo tão simples e tão santo.Por muitas vezes visitei Nova Trento, antes de sua beatificação e canonização, tudo era tão silencioso e pacato, bem diferente do que vemos hoje.Estive em Florianópolis quando da sua beatificação, foi um momento inesquecível, ouvir a declaração de beatificação de Madre Paulina da boca de um outro Santo o Papa João Paulo II.Simplesmente foi um momento único.

Amábile Lucia Visintainer, nascida em 16 de dezembro de 1865,em Vígolo Vattaro-Italia, fila segunda filha do operário Napoleão Visintainer e Dona Anna Pianezzer Visintainer, o casal teve 14 filhos, todos educados na fé católica e nos rígidos princípios da moral e dos bons costumes. Desde cedo Napoleão ensinou os filhos a lidar com a terra e dela tirar o sustento, os mais velhos  ajudavam a cuidar dos menores e assim por diante.Napoleão trabalhava como pedreiro e com suas mãos calejadas puxava o terço do bolso do paletó e a noite, com a mulher e os filhos rezavam juntos o Santo rosário  com devoção e amor a SSma. Virgem Maria!.Tudo era muito sublime...
Amábile  sempre foi uma menina meiga, dedicada, tinha um coração generoso e compassivo, seu olhar estava sempre voltado  para os mais  pobres, os idosos abandonados, os doentes, e com toda a  simplicidade e bondade torna-se tudo para todos, a comunidade nutria  por Amábile um carinho especial. Seus irmãos a tem como uma segunda mãe, sempre que Dona Anna tem que  sair de casa, deixa os pequenos aos cuidados de Amábile.
Contando apenas com 8 anos de idade, Amábile se vê obrigada a sair de casa e ir trabalhar numa Fabrica de tecidos para ajudar a família, a menina era tão frágil que foi designada para separar os casulos do bicho-da-seda, o modesto lanche que levava ainda repartia com as outras meninas que nada tinham.
Uma noticia chegou a Vígolo Vattaro e deixou o seu povo em  agitação, vários jornais noticiavam que quem desejasse ir para o Brasil, como imigrante, receberia terra, dinheiro, trabalho etc, uma oportunidade única:”Vamos tentar a sorte”, é a terra prometida...E assim sendo  em setembro de 1875 cerca de 130 moradores de Vígolo Vattaro partiram para o Brasil.Napoleão e Anna embarcam com seus 5 filhos, Amabile esta com 10 anos e em seu pequeno e generoso coração , sente, mesmo sem saber ,o chamado da missão.
Algumas semanas mais tarde, desembarcam em terras catarinenses, as margens do rio Itajaí-açu, porto de Itajai.Quem estava recepcionando o grupo de imigrantes italianos era o Padre João Maria Cybéo, um Missionário Jesuíta,vindo do Vale do Tijucas, que logo assumiu os cuidados dos trentinos.Assim partiram para  o Alferes,que  logo se chamou Nova Trento.

Sempre foi uma preocupação para os imigrantes a instrução das crianças, para tanto contrataram a professora Marina Dallabrida. A pequena Amabile tinha muita dificuldade para aprender a ler, em seu coração e também no de seus pais brotou uma esperança:Amabile  iria receber a primeira comunhão em breve, e assim pediria essa graça ao SENHOR e foi o que aconteceu!
Amábile sentia em seu coração um desejo de ser toda de DEUS e para os irmãos, e junto com sua amiga Virgínia Nicolodi, nutria o desejo  de servir.Padre Servanzi, confiou as duas jovens, o cuidado com a Igreja, o catecismo das crianças e a assistência aos enfermos, missão cumprida  com zelo e dedicação pelas duas.Tudo corria bem  até que no  ano de 1887, estando Amábile com 22 anos,  é tomada pela dor de perder sua mãe, Dona Anna não resistiu a mais um parto.  Toda a responsabilidade da casa ficou aos cuidados de Amábile, alem do apostolado que lhe fora confiado.Três anos mais tarde, seu pai casou novamente e assim sua vida ficou mais folgada para cumprir sua missão.

Os planos do SENHOR vão a cada dia, se descortinando no cenário da vida das duas coloninhas de Nova Trento, o novo Paroco Padre Marcelo Rocchi, logo percebe nas meninas um toque da graça de DEUS.Amábile confidencia a Virginia, seus planos de construir um casebre perto da Igreja onde as duas poderiam rezar e trabalhar pelos mais necessitados.Virginia gosta da ideia porem questiona o como acontecerá! Se seus pais permitirão, quem construirá a casa?E o Padre o que dirá?”O BOM DEUS VIRÁ AO ENCONTRO.ELE SABE QUE QUEREMOS FAZER A SUA VONTADE; POR ISSO, NA HORA POR ELE ESTABELECIDA, NOS AJUDARÁ”, disse Amábile.
Por causa de uma cancerosa,Angela Lucia Viviani, que tinha necessidade de cuidados, e não tinha quem  os fizesse, pois estava em estado quase terminal, foram as jovens que prontamente se colocaram a serviço da doente, e o fizeram com tanto amor, que tanto a comunidade quanto o Padre, se empenharam em ajudá-las.Padre Marcelo conseguiu um casebre abandonado, que pertencia ao Sr. Benjamim Gallotti, e la então levaram a Sra Angela, era um casebre Hospital de 6X4.No dia 12 de julho de 1890 , teve início uma obra de DEUS nos sertões de Santa Catarina, e tendo como protagonistas duas jovens coloninhas quase analfabetas.São José era o protetor da obra recém fundada.
Tudo era muito difícil, a cancerosa a cada dia ficava pior, o quadro era gravíssimo,  alem do que alguns colonos não apreciavam a vida e o trabalho das jovens, e durante a noite atiravam pedras na casa e não poupavam palavras ofensivas a dignidade das jovens!Depois de um tempo de preparação a enferma pediu para se confessar e morreu na graça do bom DEUS. As duas permaneceram no local que serviria para a catequese, momentos de oração, atenção aos pobres e desvalidos etc.ª…
No ano de 1891, Amábile adoeceu gravemente,estava fraca, debilitada, necessitava de cuidados especiais.Tão logo recuperou suas forças e a saúde, foi-lhe revelada em sonho, a missão a ela confiada:”Ela estava num campo coberto de flores, com videiras cheias de cachos maduros de uvas, um grande numero de meninas vestidas de branco corriam pelo campo brincando felizes.De repente aparece uma escada feita de nuvens e nos primeiros degraus estava a Imaculada Conceição, que sorrindo aponta para as jovens dizendo:’EIS AS FILHAS QUE CONFIO A TI’”
Em 1893, o Jesuita Padre Mantero, que muito admirava a vida e o trabalho das jovens, conseguiu um terreno e começaram a construção da nova casa, e assim no dia de NOSSA SENHORA DE LOURDES, 11 de fevereiro de 1894, as três jovens partem para a nova casa, eram elas:Amábile, Virginia e Teresa.No ano de 1895, no dia 25 de agosto saiu a aprovação diocesana da Pia União da Imaculada Conceição. Dom Jose, recomendou a nova Congregação ao Padre Rossi e pediu que Amabile preparasse a regra de vida das irmãs

Foi, porem no ano de 1896, que as noviças professaram solenemente,Amábile adotou o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus(Madre Paulina),Irmã Matilde da Imaculada Conceição e Irmã Inês de São José, era um marco para a pequena Nova Trento, nasce uma Congregação, tão somente pela vontade de DEUS e pelo sonho de uma coloninha chamada Madre Paulina.
A Congregação crescia e de uma maneira extraordinária, muitas jovens buscavam a perfeição e a santidade nos passo de Irmã Paulina, o trabalho era árduo, no campo, nas escolas, na confecção das sedas, catequese, atenção aos idosos, enfermos, crianças abandonadas.Eram tantos os campos de ação que em pouco tempo as casas da congregação foram se abrindo em outros lugares, a missão tornou-se grandiosa.Madre Paulina era incansável, amorosa porem determinada e corajosa, para ela não existia trabalho difícil ou impossível, tudo era de DEUS e para DEUS e os irmãos.No ano de 1909 a Congregação passa a se chamar:Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, por determinação de Dom Duarte e teve como superiora Madre Vicência Teodora da Imaculada Conceição...
A Congregação caminhava a passos largos, e aos poucos Madre Paulina vai cedendo espaço, entre tantos acontecimentos, uns venturosos outros nem tantos, tudo concorre para a Gloria de DEUS.No ano de 1938,Madre Paulina se vê obrigada a amputar o braço em consequência de uma gangrena na mão direita, dizia ela:”Vontade de DEUS paraíso meu”.Trabalha confeccionando rosários, flores etc, sempre servindo!No ano de 1942, Madre Paulina percorre o seu calvário ate que  as 5;50 do dia 09 de julho de 1942, Madre Paulina da por encerrada sua missão terrena, para iniciar a celeste, estava com 77anos.Foi beatificada em 18 de outubro de 1991 e canonizada em  19 de maio de 2002.Hoje a congregação conta com mais de 600 Irmãzinhas espalhas pelo Brasil e pelo mundo.

Santa Madre Paulina, roga por nós que recorremos a vòs!
Marcio Antonio Reiser OFS






 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

“Jerônimo e Zélia –A Santidade a Dois”

Família– BERÇO DE TODAS AS VOCAÇÕES.


Na cidade de Magé, estado do Rio de Janeiro, nasceu no dia 26 de julho de 1851 o filho primogênito do casal Fernando de Castro Abreu Magalhães e Rosa Rodrigues de Magalhães, que na Pia Batismal recebeu o nome de  Jerônimo de Castro Abreu  Magalhães. Dona Rosa veio a falecer quando Jerônimo e sua irmã Bárbara eram muito pequenos, sendo assim, foram levados a Portugal e entregues aos cuidados de uma tia materna.Jerônimo estudou no Colégio dos Nobres em  Lisboa e alguns anos mais tarde foi estudar Humanidades na Alemanha.Quando completou 20 anos e já formado em Humanidades e como Bacharel em Letras e Filosofia, desejou voltar ao Brasil e  já no Brasil, formou-se em Engenharia Civil no ano de 1875.
A bela cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, foi o berço de uma de suas filhas mais ilustres, a filha do Dr.João Pedreira e de Dona Elisa Amália de Bulhões Pedreira, Zélia Pedreira, que nasceu no dia 05 de abril de 1857, era uma dos cinco filhos do ilustre casal.Dr João  era um homem  bastante conceituado na Corte, exercia a função de Secretário do Supremo Tribunal, moravam  num belíssimo solar no alto da Tijuca chamado de Chácara da Cachoeira. A referida chácara era frequentada por fidalgos, nobres, ilustres figuras do meio artístico e cultural, escritores e principalmente por Bispos, Religiosos, Missionários, Sacerdotes, que encontravam acolhimento e generosidade em seus anfitriões.
Zélia sempre foi  uma menina inteligente, estava muito a frente de seu tempo, lia muito principalmente livros das Ciências, das artes, das conquistas, mas e principalmente as Obras completas de Santa Teresa D’Avila, era um prodígio de criança.Por vezes sonhou em partir para a Espanha para fazer o noviciado no Carmelo, ser carmelita sempre foi um sonho que por receio guardou para si.Zélia estudou e falava fluentemente o francês inglês,alemão, latim, grego e italiano.
Deus preparou o jovem casal e providenciou que se encontrassem e que desse encontro nascesse um belo e eterno amor, foi amor a primeira vista pois ambos eram bastante religiosos e com princípios alicerçados  na fé Católica, eram amantes dos livros, das artes e das ciências, falavam vários idiomas e principalmente defendiam ideais de igualdade, fraternidade e liberdade, onde todos são iguais, sem distinção!
O jovem casal uniu-se em matrimonio no dia 27 de julho de 1876 e foram morar na rica fazenda de Santa Fé, também no estado do Rio de Janeiro. A fazenda de santa fé tornou-se um lugar de acolhimento e um vasto campo de apostolado.Jerônimo e Zélia estavam sempre atentos as necessidades dos empregados, dos servidores,  dos escravos que logo foram alforriados e tratados com dignidade e com direitos estabelecidos, todos eram tratados com amor, respeito e justiça, eram amados e respeitados por todos, era um “Santo Casal” diziam!
O que vale a pena contar é o fato acontecido no ano de 1872, quando a jovem Zélia foi convidada pelo Pároco de Petrópolis, para abraçar a vida religiosa e ser a Superiora de uma Congregação.Zélia ainda não havia conhecido Jerônimo, portanto estava propensa a atender o convite do Pároco.Seu pai não aprovava a ideia do Padre, porem decidiu levar sua filha ate a cidade mineira de Baependi, onde vivia a Sra.Nhá Chica(Hoje Beata Nhá Chica), que tinha fama de  conhecer e perscrutar corações.Nhá Chica recebeu a comitiva, ouviu os argumentos do pai, do Padre e da Jovem Zélia.Pediu licença e foi ao seu quarto conversar e orar a Virgem da Conceição, depois de algum tempo voltou  e disse a jovem:”Hoje farás a vontade de teu pai, não entrarás para o convento, pois Deus te enviará um santo homem e com ele casaras e darás um grande prole a Igreja e já no final de tua vida realizarás teu sonho de te dedicar totalmente a DEUS!”Voltaram todos para casa conformados e silenciosos e cada pensando nas palavras daquela Santa mulher da Minas Gerais.
O jovem e piedoso casal mandou buscar uma bela imagem da Virgem Maria, na cidade de Lourdes na França e foi colocada numa gruta na fazenda Santa Fé, a gruta era lugar de muitas romarias, terços incontáveis eram rezados ali!Porem já no ano de 1894, por motivos de saúde, a família  passa a morar na cidade de Petrópolis, e lá a nova casa tornou-se lugar de acolhimento e apostolado.
Zélia dava aulas de catecismo, alfabetização(fundou uma escola e que alem de ensinar as crianças, ensinava os pais em aulas noturnas).Não perdia tempo, ela com os filhos maiores eram os professores, catequistas etc.
Da união de Jerônimo e Zélia, nasceram treze filhos:Maria Elisa,Maria Rosa,Maria Leonor, Maria Barbara,Maria Tereza, Maria Joana, Maria Amália e Maria de Lourdes. E os homens, Jerônimo,Francisco, José, Fernando, João José, e Luis(Quatro morreram ainda pequenos).O mais interessante é que todos os filhos abraçaram a vida sacerdotal e religiosa:Maria Elisa,Maria Leonor,Maria Joana e Maria Amália entraram para a Congregação de Santa DOROTÉIA, Maria Barbara e Maria Rosa entraram para a Congregação do Bom Pastor,Jerônimo ingressou na Congregação da Missão, Fernando na Companhia de Jesus(Jesuítas) e João José tornou-se Franciscano.
O Sr. Jerônimo era da Terceira Ordem de São Francisco, hoje Ordem Franciscana Secular, e no ano de 1909 aconteceu as Santas Missões em  na cidade do Carmo, e o Sr.Jerônimo foi incansável em acolher a todos os Bispos, Padres,Religiosas,Missionários leigos etc Foi um trabalho grandioso, incontáveis confissões, preparação para os sacramentos, registro de pessoas, alimentação para todos, acomodação para todos, enfim um trabalho exaustivo porem gratificante com seus resultados.Dona Zélia estava no Recife visitando a filha mais velha, por isso não participou das missões.Jerônimo, no final da missão, vindo a cavalo da casa de um fazendeiro, foi surpreendido por uma forte chuva que o deixou com uma febre de 40graus, era uma pneumonia fatal que se desencadeava.
Dona Zélia  estava a caminho a bordo de um Vapor que vinha de Recife, era o dia 12 de agosto de 1909, quando Sr. Jerônimo veio a falecer, estava com 58 anos, Dona Zélia ao desembarcar na cidade do Rio de Janeiro, no mesmo dia 12 de agosto, recebe a noticia da morte de seu amado esposo.No mesmo instante cai de joelhos em prantos de dor e saudades.Envia a todos os filhos um telegrama dizendo:”Bendigamos a DEUS, teu pai faleceu, Santo!”
No túmulo do Sr Jerônimo foi colocada a Imagem da Virgem de Lourdes que estava na fazenda Santa Fé.
Ficando viúva,Dona Zélia, novamente sente o chamado a vida religiosa, consagrada, sendo assim participa de um retiro para senhoras e ao final e diante do Padre Diretor, professa os votos de pobreza, castidade e obediência.Em sua aliança de casamento mandou gravar o nome de JESUS ao lado do nome de Jerônimo.No ano de 1912 fundou-se na cidade do Rio de Janeiro, o Convento das Servas do Santíssimo Sacramento, sendo elas de vida de clausura.Consultando seus filhos, seu confessor e vários Bispos, fez seu pedido de admissão, que foi enviado a Roma no dia 21 de novembro de 1912.Sendo aceita pela Madre Geral, Dona Zélia com mãe amorosa de seus 9 filhos, sai em peregrinação aos Conventos e Mosteiros onde estavam  seus filhos e filhas para abraçá-los pela ultima vez ,pois ao final entraria para sempre  na Clausura!
Foram seis meses de viagens e despedidas, até que no  22 de Janeiro de 1918, ela estava com 62 anos, dois de seus filhos estavam presentes na profissão e entrada na Clausura das Sacramentinas.Foi suas núpcias pela segunda  e ultima vez.Dona Zélia é toda dedicação e amor para com todas as irmãs.Por ter facilidades com outros idiomas, Zélia dedica-se as traduções, principalmente as cartas do Fundador : Padre Eymard.Alguns meses se passaram e Dona Zélia passou a sentir dores nas costas, palpitações e dores no peito, decidem as irmãs pela imediata vestiçao do hábito de Zélia.
Vieram seus filhos, Padre Jerônimo, Padre Fernando E Frei João José, alem da filha mais velha, Irmã Elisa, Padre Jerônimo, benzeu o habito e o véu branco de sua mãe e disse:”Minha mãe, de hoje em diante não vos chamarei mais Zélia Pedreira de Castro Magalhães e sim SÓROR MARIA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO.A emoção tomou conta de todos, e assim Zelia lembrou de Nhá Chica e suas profecias todas cumpridas.
No dia 15 de agosto de 1919 a Noviça Sóror Maria, começou a sentir o agravamento de suas enfermidades, contorcia-se em dores sem gemer nem reclamar, tudo oferecia pela santificação de seus filhos e por amor ao SENHOR, a cada instante tudo se agravava,levada ao Hospital era cercada de carinho pelos filhos, pelas religiosas, amigos, e sua felicidade foi maior quando pode fazer seus votos perpétuos na cama, era o dia 04 de setembro de 1919,e foi no dia da Natividade de Nossa Senhora, 08 de setembro de 1919 á uma hora da manha que a Sóror Maria do Santíssimo Sacramento entrega sua  santa alma ao SENHOR.
Grande foi a multidão que se fez presente no velório e enterro, emoção e lagrimas de tantos quantos foram tocados pelo amor de Dona Zélia.
Hoje os dois estão a caminho dos altares, e rogamos ao Bom DEUS que logo os vejamos declarados Santos.
Amem, Paz e bem!
Marcio Antonio Reiser OFS